Lula defende distanciamento de eventos religiosos em período eleitoral e critica uso político de momentos sagrados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou o motivo de sua ausência na tradicional Marcha para Jesus, realizada em São Paulo. Em uma conversa telefônica com o bispo Estevam Hernandes e o advogado-geral da União, Jorge Messias, o chefe do Executivo declarou que prefere não comparecer a eventos religiosos em épocas de eleição.
A justificativa de Lula é clara: ele não quer dar a impressão de que está “tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”. A declaração foi compartilhada por Jorge Messias, que representou o presidente no evento, através de um vídeo publicado em sua página no Instagram.
A postura do presidente contrasta com a de outros políticos, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou ativamente da marcha e foi recebido com entusiasmo pelo público presente. O evento, que reuniu cerca de 35.000 pessoas, segundo estimativa do Poder360, é um importante palco para manifestações religiosas e políticas.
Lula celebra sanção de lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus
Apesar de não ter comparecido presencialmente, o presidente Lula expressou satisfação por ter sancionado a Lei 12.025 de 2009, que oficializou o Dia Nacional da Marcha para Jesus no Brasil. A iniciativa da lei partiu do então senador Marcelo Crivella (Republicanos-RJ).
O bispo Estevam Hernandes demonstrou gratidão pela legislação, e Lula, na gravação, pediu a Messias que “cuide bem do nosso bispo”. É importante notar que o petista nunca participou fisicamente da marcha ao longo de sua carreira política.
Flávio Bolsonaro marca presença e declara “guerra espiritual”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais opositores do governo atual, marcou sua presença na Marcha para Jesus de 2026, recebendo uma calorosa recepção do público. Ele descreveu o momento como uma “grande guerra espiritual”.
“Nada melhor do que estar aqui para recarregar as baterias e orar pelas famílias brasileiras”, declarou o senador, enfatizando a importância do evento para suas convicções. A participação de Flávio Bolsonaro reforça a conexão de parte do espectro político com movimentos religiosos.
Histórico da Marcha para Jesus e a participação de presidentes
A Marcha para Jesus teve sua primeira edição no Brasil em 1993, inspirada em um movimento similar que ocorre no Reino Unido desde os anos 1980. Em 2019, Jair Bolsonaro se tornou o primeiro presidente em exercício a comparecer ao evento, que teve suas edições de 2020 e 2021 interrompidas devido à pandemia de covid-19.
A oficialização do Dia Nacional da Marcha para Jesus em 2009, durante o segundo mandato de Lula, demonstra o reconhecimento institucional da celebração. Contudo, a decisão do presidente de se abster de participar em períodos eleitorais visa a manter a integridade e evitar percepções de manipulação política de um evento de cunho religioso e espiritual.
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