Início Brasil UE Oficializa Veto à Carne Brasileira: Brasil Fora da Lista de Exportadores Autorizados a Partir de Setembro Devido ao Uso de Antimicrobianos
Brasil

UE Oficializa Veto à Carne Brasileira: Brasil Fora da Lista de Exportadores Autorizados a Partir de Setembro Devido ao Uso de Antimicrobianos

Compartilhe
Compartilhe

União Europeia exclui Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e outros produtos de origem animal devido a regras sobre antimicrobianos.

A União Europeia publicou oficialmente, na sexta-feira (5), a decisão de remover o Brasil da lista de países que cumprem suas exigências sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essa medida proibirá a exportação de carne brasileira para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano.

A exclusão afeta não apenas a carne bovina, mas também a de frango, cavalo, além de tripas, peixe e mel. A lista de 2024, que ainda autorizava o Brasil a exportar esses produtos, foi alterada, deixando o país de fora de todas essas categorias.

Segundo o documento europeu, o Brasil não apresentou as informações necessárias que garantem o cumprimento dos requisitos da UE sobre o uso de antimicrobianos. Conforme divulgado pelo g1, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o retorno à lista é possível assim que as exigências forem comprovadas.

Entenda a Proibição e Seus Impactos

Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais, e alguns também podem atuar como promotores de crescimento. A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos que são empregados também para o crescimento de animais, conforme explica Leonardo Munhoz, doutor em direito agroambiental. A decisão europeia é baseada em regulamentações sanitárias que visam garantir a segurança alimentar.

A União Europeia é um mercado importante para a carne brasileira, sendo o terceiro maior destino da carne bovina em valor exportado, atrás apenas de China e Estados Unidos. Para carnes em geral, o bloco representa o segundo maior mercado, após a China, segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura.

Caminhos para o Brasil Retornar à Lista de Exportadores

Para que o Brasil volte a ter autorização para exportar seus produtos para a UE, o país precisa comprovar o cumprimento das exigências. Isso pode ser feito de duas formas principais, segundo o advogado Leonardo Munhoz: restringir legalmente o uso dos medicamentos antimicrobianos em questão ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.

A segunda opção, que envolve a rastreabilidade do produto, é considerada mais demorada e custosa. O Ministério da Agricultura já publicou, em abril, uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho. A expectativa é que, assim que a pecuária brasileira demonstrar o não uso desses antimicrobianos, o país possa retomar as exportações.

Reações do Setor e Possível Relação com Acordo Mercosul-UE

O setor agropecuário brasileiro reagiu com preocupação à decisão. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o impedimento só ocorrerá se as adequações requeridas não forem apresentadas até setembro, ressaltando a robustez dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária do Brasil. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também se comprometeu a prestar todos os esclarecimentos necessários à União Europeia.

Por outro lado, o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, classificou a medida como política, associando-a à pressão europeia após o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária também expressaram preocupação, vendo a decisão como uma potencial barreira comercial disfarçada de exigência regulatória, especialmente após a entrada em vigor do acordo.

No entanto, Leonardo Munhoz argumenta que a medida não está diretamente ligada ao acordo comercial, sendo uma regulamentação sanitária independente. O acordo Mercosul-UE entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda decisão judicial na Europa sobre sua legalidade. O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que a decisão demonstra o funcionamento do sistema de controle europeu, garantindo que produtos importados sigam os mesmos rigorosos padrões de saúde e antimicrobianos aplicados aos produtores europeus.

Compartilhe

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

EUA Listam 96 Organizações Terroristas Globais: Conheça os Grupos e Países Afetados, Incluindo PCC e CV do Brasil

EUA Designam 96 Grupos como Terroristas; PCC e CV Brasileiros na Nova...

Fábio Giga, o fisiculturista influenciador, causa acidente com Porsche em SP atingindo múltiplos veículos

Influenciador Fábio Giga se envolve em grave acidente com Porsche em São...

Turista Sem Noção Salta nas Cataratas do Iguaçu para Salvar Celular e Choca Visitantes: Bombeiros Agem Rápido

Turista Desafia Segurança nas Cataratas do Iguaçu em Busca de Celular Perdido...