Super El Niño: Previsão Europeia Sinaliza Evento Extremamente Forte e Impactos Severos no Brasil
Uma nova e crucial previsão divulgada pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) acende o alerta para a iminente chegada de um Super El Niño. A atualização, a primeira após o fim da chamada “barreira da previsibilidade”, indica um aquecimento excepcional no Oceano Pacífico Equatorial e reforça a possibilidade de um evento de grande intensidade durante o segundo semestre de 2026 e início de 2027.
Este período de “barreira da previsibilidade”, que compreende os meses de março, abril e maio, é conhecido por apresentar maior incerteza nos modelos climáticos devido às rápidas mudanças na atmosfera e nos oceanos. Por isso, previsões iniciadas após este período, como a divulgada pelo ECMWF em 1º de junho, ganham maior confiabilidade para avaliar a evolução e a intensidade futura do fenômeno.
Os resultados divulgados pelo ECMWF mantêm o sinal de um aquecimento muito intenso no Pacífico Equatorial, com as anomalias de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 projetadas para ultrapassar os 2°C já no inverno e permanecer nesse patamar ao longo de todo o segundo semestre. Essa consistência nas projeções aumenta a confiança nas previsões sobre os possíveis impactos climáticos globais e, em particular, no Brasil. Conforme informação divulgada pelo ECMWF.
Fim da Barreira de Previsibilidade Aumenta Confiabilidade das Projeções
A “barreira da previsibilidade” é uma fase crítica para a modelagem climática, onde pequenas variações oceânicas e atmosféricas podem gerar erros amplificados nas projeções. A primeira previsão do ECMWF iniciada em junho, após o fim deste período, é, portanto, fundamental. Ela confirma a manutenção de um sinal de evento forte a muito forte, comparado às rodadas anteriores, elevando a confiança no cenário projetado para os próximos meses.
Aquecimento Excepcional no Pacífico Reforça Cenário de Super El Niño
A nova previsão do ECMWF indica que as anomalias de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 devem superar a marca de 2°C entre julho e, pelo menos, novembro. Alguns modelos individuais chegam a projetar valores acima de 4°C entre outubro e novembro. Esse aquecimento intenso e persistente é a principal característica de um Super El Niño, um fenômeno capaz de desencadear respostas atmosféricas significativas em escala global.
Impactos do Super El Niño no Brasil: Chuvas no Sul, Seca no Norte e Calor Intenso
Enquanto eventos de El Niño mais fracos podem ter efeitos limitados, um Super El Niño aumenta a probabilidade de padrões climáticos clássicos associados ao fenômeno. No Brasil, a previsão aponta para chuvas acima da média na Região Sul durante todo o segundo semestre, com anomalias mensais superiores a 50 mm entre julho e dezembro. Em contrapartida, a seca deve se intensificar nas regiões Norte e Nordeste, espalhando-se para o Centro-Oeste e Sudeste a partir de novembro, o que pode resultar em uma estação chuvosa deficiente nessas áreas.
A confirmação deste padrão pode acarretar impactos severos, como prejuízos à biodiversidade amazônica, aumento das queimadas e perda de produtividade agrícola no Centro-Oeste. A situação hídrica de São Paulo, com o sistema Cantareira operando abaixo de 40% de sua capacidade, também é motivo de grande preocupação, dependendo do período chuvoso para reabastecimento.
Em relação às temperaturas, julho ainda pode apresentar um cenário mais ameno. Contudo, entre outubro e dezembro, as médias devem aumentar consideravelmente, com anomalias chegando a 4°C acima da média em algumas regiões. Isso favorece a ocorrência de ondas de calor mais frequentes e intensas, um fenômeno associado a um aumento significativo de mortes relacionadas ao clima, segundo a Organização Mundial da Saúde.
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