Eleições no Peru: Keiko Fujimori e Roberto Sánchez em Disputa Acirrada Pela Presidência
A corrida presidencial no Peru está em **empate técnico**, com resultados apertados entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. A contagem oficial, com 92% das urnas apuradas, mostra Fujimori com 50,24% dos votos válidos e Sánchez com 49,75%. Essa pequena margem de diferença mantém o futuro do país em suspense, com a expectativa de que o resultado final demore alguns dias para ser oficializado.
A candidata conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, já havia liderado o primeiro turno. Seu oponente, o deputado de esquerda Roberto Sánchez, também demonstrou força, especialmente em áreas rurais que costumam ter a apuração concluída mais tarde. Essa dinâmica eleitoral reflete a profunda fragmentação política que tem marcado o Peru nos últimos anos.
A instabilidade política no Peru não é um fenômeno novo. O país contabilizou nove presidentes em uma década, com mandatos presidenciais de cinco anos. Essa rotatividade constante, com alguns líderes permanecendo no cargo por menos de uma semana, evidencia uma fragilidade institucional significativa. A informação foi divulgada pelo órgão eleitoral do país e analisada por especialistas.
Um Histórico de Instabilidade Política e Crise Institucional
A fragilidade institucional peruana é agravada por mecanismos como o Artigo 113 da Constituição, que permite a destituição de um presidente por “incapacidade moral ou física permanente”, avaliada pelo Congresso. Essa ferramenta tem sido utilizada para derrubar presidentes eleitos, gerando um ciclo de crises políticas. A coalizão fujimorista, majoritária no Congresso, tem articulado poder em diversas esferas, conforme aponta Lucas Berti, cientista político pesquisador sobre o Peru.
Keiko Fujimori lidera a corrente fujimorista desde 2008 e busca incessantemente chegar ao Poder Executivo, tendo perdido as últimas três eleições presidenciais por margens estreitas. Especialistas indicam que a eleição de 2026, que se aproxima, tende a ser igualmente disputada. A credibilidade das instituições peruanas atingiu níveis baixíssimos, com a desconfiança no Congresso superando 90% em alguns períodos.
Desconfiança Crônica e Partidos Pouco Institucionalizados
Pesquisas como o Latinobarómetro revelam que o Peru enfrenta um dos mais baixos níveis de confiança nas instituições na América Latina. Cerca de 90% dos peruanos demonstram pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso. Além disso, a pesquisa aponta para um sentimento de indiferença em relação à política, um fator preocupante para a democracia.
A facilidade de criação de partidos no Peru, muitas vezes descritos como “pouco institucionalizados”, contribui para esse cenário. Essas legendas, sem raízes profundas na sociedade e com pouca fidelidade de candidatos, surgem e desaparecem rapidamente. Isso gera no eleitor a percepção de que candidatos chegam ao poder sem bases sólidas, aumentando o descrédito e o temor em relação à estabilidade dos governos.
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