Presidente do TSEbarra pesquisa AtlasIntel que mostra queda de Flávio Bolsonaro após questionamentos sobre metodologia
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação da mais recente pesquisa de intenção de voto do instituto AtlasIntel. A decisão atende a um pedido liminar do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que contestou a metodologia empregada no levantamento divulgado em 19 de maio.
A pesquisa em questão apontou uma queda de sete pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT). O senador alega que a inclusão de perguntas sobre o escândalo do Master e áudios vazados entre ele e Daniel Vorcaro, ex-dono de um banco, teria influenciado artificialmente os entrevistados.
O AtlasIntel, por sua vez, defende sua metodologia, afirmando que os áudios foram apresentados aos entrevistados apenas na fase final do levantamento, após a coleta das informações sobre intenção de voto, e que a participação nesta etapa era voluntária. O instituto se diz confiante de que a análise técnica esclarecerá a situação e reforça que pesquisas posteriores confirmaram as tendências apontadas.
Contestação de Flávio Bolsonaro e Argumentos do TSE
O pedido de Flávio Bolsonaro baseou-se na alegação de que a pesquisa, ao incluir a gravação do diálogo entre ele e Daniel Vorcaro, comprometeu a neutralidade. O senador argumentou que essa abordagem poderia induzir respostas e distorcer o cenário eleitoral.
Ao acolher o pedido liminar, Kassio Nunes Marques citou a existência de “possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário registrado perante a Justiça Eleitoral”. O ministro ressaltou a importância de evitar a circulação de levantamentos cuja lisura metodológica esteja em xeque, especialmente no ambiente digital, onde a informação se propaga rapidamente e pode ter efeitos difíceis de reverter no processo eleitoral.
A decisão liminar, contudo, ainda será submetida ao referendo do plenário do TSE nesta terça-feira, 9 de maio. A urgência da medida, segundo o ministro, justifica-se mesmo diante do intervalo entre a divulgação da pesquisa e a sua decisão, dada a potencial influência de dados questionáveis na opinião pública.
Defesa da AtlasIntel e Metodologia Empregada
Em resposta às alegações, o chefe de Risco Político e Análise Política do AtlasIntel, Yuri Sanches, havia afirmado anteriormente que as contestações eram infundadas. Sanches explicou que a inclusão dos áudios ocorreu após a formulação das perguntas centrais sobre intenção de voto, rejeição e avaliação do governo.
O objetivo da etapa multimídia, segundo o instituto, era medir a percepção dos entrevistados sobre o áudio em tempo real. Os participantes arrastavam um cursor em uma escala para indicar sua reação, permitindo a análise da percepção ao longo do conteúdo, segmentada por gênero, idade, renda e voto anterior. Essa participação, reforça o AtlasIntel, era voluntária e não impactava os resultados da pesquisa principal.
O AtlasIntel enfatizou que respeitará a liminar, mas mantém a confiança de que a análise técnica comprovará a validade de sua metodologia. O instituto também apontou que pesquisas subsequentes confirmaram a tendência observada em seu levantamento, inclusive com efeitos de magnitude ainda maior, o que, segundo eles, reforça que os resultados refletiam a dinâmica real da opinião pública.
Próximos Passos no TSE
A decisão de Kassio Nunes Marques representa um passo importante no escrutínio da divulgação de pesquisas eleitorais e na garantia da integridade do processo democrático. A análise do plenário do TSE definirá o futuro da divulgação desta pesquisa específica e poderá estabelecer precedentes sobre a metodologia aceitável em levantamentos que abordam temas sensíveis.
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