PF diz não a nova delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por falta de provas e novidades
A Polícia Federal (PF) tomou a decisão de rejeitar a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A informação já foi formalmente comunicada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Procuradoria-Geral da República (PGR), que também negocia com a defesa de Vorcaro, ainda não emitiu uma resposta oficial sobre o pedido. A PF avaliou que o conteúdo da proposta não oferecia informações inéditas em relação às investigações já em andamento.
Um ponto crucial para a rejeição, segundo os investigadores, foi a ausência de elementos de prova concretos, que são fundamentais para a validação de acordos de colaboração premiada. A PF já possui em mãos oito celulares de Vorcaro, com acesso a documentos e mensagens relevantes.
Dificuldades na Corroboração de Relatos
A percepção dos investigadores é que Daniel Vorcaro teria poucas condições de comprovar suas alegações com documentos. Isso se deve ao fato de que o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, e o banqueiro não possui mais controle sobre a instituição.
Ainda segundo a PF, os anexos entregues na proposta de delação não apresentaram fatos suficientemente inéditos nem elementos de corroboração que pudessem justificar o avanço de um acordo. Existe uma crença entre os investigadores de que Vorcaro não está verdadeiramente disposto a cooperar.
A suspeita é que o banqueiro estaria apenas tentando ganhar tempo para evitar a prisão em uma unidade comum. A avaliação predominante é que Vorcaro buscou mais se defender e justificar favores à classe política do que admitir crimes e apontar novos caminhos de investigação, o que seria o esperado em uma delação.
Vorcaro Suspeito de Esquema de Fraudes
Daniel Vorcaro é suspeito de liderar um esquema de fraudes financeiras que causou prejuízos a correntistas e investidores do Banco Master. Entre as vítimas estariam fundos de previdência de estados e municípios, como o Rioprevidência.
O rombo estimado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre aplicações de até R$ 250 mil, chega a cerca de R$ 50 bilhões. Esta é a segunda vez que a PF se afasta das negociações com o banqueiro, a primeira ocorreu em maio.
Defesa Contesta Avaliação da Polícia Federal
Por outro lado, interlocutores da defesa de Daniel Vorcaro alegam que o material entregue contém um conjunto de histórias inéditas e é consistente. Eles acreditam que os investigadores estão demonstrando má vontade em prosseguir com o acordo.
Após firmar um acordo de confidencialidade em março, que marcou o início das tratativas, Vorcaro obteve autorização para permanecer em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Lá, ele pode receber seus advogados diariamente.
O Que é a Colaboração Premiada
Um acordo de colaboração premiada é um instrumento legal para a obtenção de provas. Ele prevê, entre outros pontos, a confissão de crimes e o pagamento de multas. Em contrapartida, o investigado pode obter benefícios, como redução de pena e progressão de regime.
Para que a delação tenha validade jurídica, ela precisa ser homologada pelo ministro do STF, André Mendonça. O ministro já indicou que não concordará com a colaboração caso ela não apresente fatos novos para a apuração. Se o acordo não for concretizado, a PF e a PGR ficam impedidas de utilizar o conteúdo dos anexos já entregues por Vorcaro.
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