Brasília recebe a emocionante mostra “Chão Ancestral”, que retrata a vida e a luta do Quilombo Mesquita, em Goiás.
A capital federal se torna palco para a arte e a resistência com a exposição fotográfica “Chão Ancestral”. A mostra, que já encanta o público na Rodoviária do Plano Piloto, traz à tona a rica história e a contínua luta da comunidade quilombola Mesquita, localizada em Goiás.
Com 35 imagens impactantes, os fotógrafos Walisson Braga, Luiz Alves e Webert da Cruz registram a ancestralidade, a sabedoria e a força das famílias que compõem o Quilombo Mesquita, um território com 280 anos de história e luta por reconhecimento e titulação definitiva.
A exposição, que faz parte do Festival Latinidades, é um convite para que mais pessoas conheçam a trajetória do povo quilombola, sua conexão com a terra e a importância de preservar seus saberes e tradições para as futuras gerações. As fotografias, capturadas por quem vive essa realidade, carregam a autenticidade e a emoção de quem luta para manter viva sua identidade.
A Resistência Feminina no Quilombo Mesquita
“Chão Ancestral” celebra não apenas a história do Quilombo Mesquita, mas também a resiliência e a força das mulheres que são pilares da comunidade. A exposição destaca figuras como a avó Elpídia Pereira, uma das matriarcas, cujos saberes são essenciais para a preservação da cultura e do modo de vida local.
Walisson Braga, um dos fotógrafos e morador da comunidade, ressalta a importância de registrar essa herança: “Ela e tantas outras mulheres guardam saberes que devemos preservar. Devemos proteger a herança ancestral que é base do nosso modo de vida.”
Um Território em Busca de Titulação Definitiva
O Quilombo Mesquita abriga atualmente pelo menos 785 famílias, totalizando mais de três mil pessoas, em uma área de cerrado que lutam para preservar. Em dezembro do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu a área total do território como 4,1 mil hectares, um aumento significativo em relação à ocupação atual.
Apesar do reconhecimento, a comunidade aguarda a titulação definitiva do território, um processo crucial para garantir a segurança fundiária e proteger a área de invasões, como as de fazendeiros de soja, conforme aponta a liderança comunitária Sandra Braga. A expectativa é que a demarcação ocorra até o final deste ano.
O Marmelo como Símbolo de Tradição e Resistência
Um dos símbolos marcantes da resistência e da identidade do Quilombo Mesquita é a plantação de marmelo. Essa fruta não só representa a tradição local, mas também gera diversos produtos, como marmelada e geleia, que fortalecem a economia e a cultura da comunidade. As famílias cultivam o pé de marmelo em suas casas como forma de celebrar e manter viva sua herança.
Festival Latinidades Amplifica Vozes e Causas
A exposição fotográfica é parte integrante do Festival Latinidades, um evento de grande relevância que articula e promove a incidência pública, com protagonismo de mulheres negras. Nesta edição, o festival aborda temas importantes como a saúde mental na produção cultural e a valorização de artistas e suas narrativas.
O festival oferece uma programação diversificada, incluindo apresentações como o “Humor Negro” e discussões sobre arte e saúde mental com personalidades como Linn da Quebrada e Karol Conká. Além disso, o lançamento do programa “Descansa Nêga”, do Fundo Agbara, propõe momentos de partilha sobre viagens, descanso e memórias afetivas.
O encerramento do Festival Latinidades contará com uma palestra da renomada escritora Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras e autora de “Um Defeito de Cor”, em uma atividade organizada pela Universidade Afrolatinas. A programação completa está disponível na página oficial do festival.
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