Rapper Prince Belofá, de Sobradinho, celebra ascensão no Favela Talks com o álbum “NEGUINHO”
O rapper Prince Belofá, oriundo de Sobradinho, no Distrito Federal, está prestes a subir ao palco do Favela Talks nesta quinta-feira (30), no Birosca do Conic, em Brasília. A apresentação será um marco em sua carreira, pois ele trará o seu álbum de estreia, intitulado “NEGUINHO”, para o evento que foi fundamental em seus primeiros passos na música.
Este retorno ao festival simboliza uma jornada de seis anos, que começou quando Prince era um adolescente de 16 anos, frequentando o evento como público e participando de batalhas de rima. Naquela época, ele ainda buscava seu lugar no cenário musical. Agora, ele retorna como um dos talentos selecionados para os showcases, uma plataforma de destaque para conectar artistas do DF ao mercado da música.
O Favela Talks funciona como uma vitrine, aproximando novos talentos de curadores, produtores, selos e outros agentes importantes da indústria musical. A participação de Prince Belofá reforça a importância do festival em impulsionar carreiras e democratizar o acesso ao mercado. Conforme informações divulgadas sobre o evento.
Da adolescência nas batalhas de rima ao palco principal
Prince Belofá relembra sua adolescência com carinho, descrevendo um período de incertezas sobre sua identidade artística. “Mal e mal me sentia artista”, confessa ele, que encontrou nas batalhas de rima um caminho para expressar sua arte e se conectar com outros jovens. A música sempre esteve presente em sua vida, desde os sambas ouvidos em casa com o pai até a descoberta do rap através de um tio, que o apresentou a ícones como Racionais MC’s.
As batalhas de rima não apenas moldaram sua relação com a música, mas também expandiram seus horizontes pelo Distrito Federal. Morador de Sobradinho, Prince destaca a dificuldade de acesso à cena cultural da capital na juventude. “As batalhas de rima têm um processo de cultura e de democratização da cultura muito grande entre jovens periféricos”, afirma.
Essa circulação pelas diferentes regiões administrativas do DF, impulsionada pelo movimento de rua das batalhas, permitiu que ele conhecesse a diversidade cultural da cidade. “Acho que são poucas as RAs em que eu não fui por conta das batalhas de rima”, completa. Sobradinho, sua terra natal, continua sendo uma referência essencial em seu trabalho, influenciando sua identidade artística com a convivência local e manifestações como o Bumba Meu Boi de Seu Teodoro.
“NEGUINHO”: um álbum que celebra a pluralidade e a identidade negra
O álbum de estreia de Prince Belofá, “NEGUINHO”, é um reflexo dessa rica mistura de influências, transitando entre o rap, funk, R&B e outras vertentes da música negra. O título foi escolhido intencionalmente para abordar as diversas experiências de homens negros, explorando a polissemia da palavra “neguinho” e seus diferentes significados e contextos.
“Se minha avó me chama de neguinho, eu vou remeter a algo como carinho ou como uma bronca. Se meu pai me chama de neguinho, se meus amigos na rua me chamam de neguinho, é outra coisa. Se uma pessoa branca me chamar de neguinho, é outra”, explica o rapper. Ele ressalta que a escolha do título “NEGUINHO” permitiu abordar essa “pluralidade do termo” de forma profunda e significativa.
Entre as faixas que compõem o álbum, Prince destaca “Postura” como a que melhor sintetiza o trabalho, abordando temas como ancestralidade, religiões de matriz africana e a mortalidade de jovens negros. Sua faixa favorita é “Palmiteiro”, uma colaboração com o rapper Aggin, vindo da Estrutural. A sonoridade de “NEGUINHO” foi construída com referências que vão de Jorge Aragão a artistas contemporâneos e nomes do DF como Isa Marques e Aqualtune.
Favela Talks: uma plataforma para o futuro da música periférica
O Favela Talks é uma conferência dedicada à criatividade periférica e faz parte do Favela Sounds, um projeto que visa gerar oportunidades para jovens artistas, produtores e empreendedores das periferias do DF. O evento oferece mentorias, rodadas de negócios, showcases e debates sobre o mercado musical, fortalecendo a cena cultural local.
A programação musical do festival teve início na quarta-feira (29) e segue até o dia 1º de agosto. Nesta quinta-feira (30), no Birosca do Conic, além de Prince Belofá, o público poderá conferir as apresentações de MU540, Japão, Negraflow, DJ Jazz e Fehlix. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos pelo Shotgun.
Os dias 31 de julho e 1º de agosto serão marcados pelo Baile do Favela Sounds na Praça do Museu Nacional da República, celebrando os dez anos do festival com grandes nomes como Gaby Amarantos, Puterrier e Valesca Popozuda.
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