Presidente do BRB, Nelson de Souza, garante gestão técnica e detalha plano de recuperação do banco, com foco em estabilização e capitalização.
Em entrevista concedida nesta terça-feira (11/8), Nelson Antônio de Souza, presidente do Banco de Brasília (BRB), abordou as estratégias em curso para a recuperação da instituição financeira. Souza destacou o otimismo em relação à audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) para a liberação de um empréstimo crucial.
O dirigente ressaltou que a prioridade tem sido a estabilização econômica do banco, mantendo a liquidez e buscando a capitalização necessária. As medidas incluem mudanças na diretoria e conselho, além de auditorias independentes e forenses para apurar responsabilidades.
As informações foram divulgadas durante o CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, onde Souza detalhou o plano de ações para reequilibrar o BRB e restaurar a confiança na instituição, um orgulho para a população de Brasília.
Recuperação Econômica e de Governança no BRB
A estratégia de recuperação do BRB passa por duas frentes principais: a estabilidade econômica e a melhoria da governança. Do ponto de vista econômico, o foco tem sido manter a liquidez e buscar a capitalização, que o presidente espera que seja efetivada com a decisão do empréstimo no STF.
Em termos de governança, houve uma **reestruturação completa na diretoria e no conselho do banco**. Auditorias independentes e forenses foram realizadas para identificar as causas dos problemas. Os achados dessas investigações foram encaminhados à Polícia Federal e ao Ministério Público.
Uma Assembleia Geral Extraordinária está agendada para 24 de agosto, com o objetivo de obter autorização para a **responsabilização civil dos dirigentes** que contribuíram para a crise. Além disso, 25 processos administrativos disciplinares (PADs) foram abertos contra empregados.
Expectativas Positivas para a Audiência no STF
Nelson de Souza demonstrou **grande otimismo em relação à audiência no STF**, prevista para esta quinta-feira (13/8). A expectativa é que a decisão sobre a liberação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para a capitalização do banco seja positiva.
Existem três propostas em discussão para o empréstimo. Uma delas envolve um arranjo financeiro articulado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, com participação de grandes bancos brasileiros e garantias do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e dos estados (FPE) do GDF. Outra opção é um empréstimo direto do FGC ao GDF, com garantia dos fundos de participação.
Uma terceira possibilidade surge com a classificação do GDF como Capag A, que pode viabilizar um aval soberano. O presidente acredita que a audiência trará a definição necessária para iniciar a **capitalização do BRB**, um passo fundamental para a recuperação.
Medidas Adicionais para a Capitalização do BRB
Além do empréstimo do FGC, outras iniciativas estão em curso para fortalecer a capitalização do BRB. A **securitização da dívida do GDF** já teve uma primeira etapa concluída, no valor de R$ 1,05 bilhão, com uma segunda tranche de R$ 1,2 bilhão em andamento. Somados aos R$ 6,6 bilhões do FGC, o montante se aproxima de R$ 8,8 bilhões.
A possibilidade de transformar imóveis em um fundo de investimento imobiliário, aprovada pela Câmara Legislativa do DF, também contribui para o plano. O banco tem atraído o interesse de **investidores nacionais e internacionais**, além da venda de ativos da carteira do Master, que geram liquidez e fortalecem o capital.
Previsão de Publicação do Balanço e Gestão Técnica
O balanço do BRB será publicado após a efetivação da capitalização, que se inicia com a contratação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões. Nelson de Souza enfatizou que **a gestão do BRB é estritamente técnica**, sem relação com períodos eleitorais. Todas as ações necessárias, sejam criminais, econômicas, de governança ou bancárias, estão sendo tomadas com rigor.
O presidente destacou a relação de proximidade com o Banco Central e o FGC, a quem foram submetidos os planos de capital e negócios do banco. O empréstimo em questão é destinado ao GDF, controlador do BRB, e não diretamente ao banco.
Capacidade de Pagamento do GDF e Estratégias Futuras
O GDF possui **condições sólidas para honrar o empréstimo**, conforme o presidente do BRB. O balanço público do GDF demonstra um baixo endividamento. O pagamento das parcelas será responsabilidade do GDF, mas o plano de negócios do BRB, com horizonte de 10 anos, prevê a geração de dividendos que podem amortizar ou quitar a dívida.
Outra estratégia inclui a possibilidade de o GDF vender parte de suas ações, após aportar capital e aumentar sua participação, para investidores externos, quitando assim o empréstimo. O BRB é considerado um banco sólido, com **forte cuidado com correntistas e estados parceiros**, incluindo os cinco Tribunais de Justiça com R$ 30 bilhões depositados na instituição.
Medidas de austeridade foram implementadas, como o corte de 70% nas verbas de patrocínio e publicidade, e a desativação da Arena BRB. O foco é **evitar gastos excessivos** e concentrar recursos na recuperação do banco.
Novo Arranjo com o Flamengo e Expansão do Banco Digital
O patrocínio ao Flamengo foi reconfigurado para um modelo de **profit sharing (rateio de resultados)**, com a criação do banco digital Nação BRB Fla, onde o BRB detém 53% e o Flamengo, 47%. Este banco múltiplo opera de forma independente do BRB, com cartão próprio, venda de seguros e empréstimos.
O Nação BRB Fla possui uma agência física no Rio de Janeiro e planeja expandir para outras capitais brasileiras, com Brasília sendo a próxima cidade a receber uma unidade. O objetivo é tornar este banco digital o **maior da América Latina em 10 anos**, transformando um antigo problema em uma solução inovadora.
Manutenção de Financiamentos Sociais e Foco no Microcrédito
O BRB **mantém todas as suas operações ativas e passivas**, incluindo crédito pessoal, para microempresas, habitacional e captação em LCI, LCA, CDBs e fundos. O banco também atua como banco de desenvolvimento, operacionalizando programas sociais do governo.
Um dos focos de expansão é o **microcrédito**, visando atender de forma mais direta os microempreendedores individuais que mais necessitam. A prioridade da atual gestão é atender Brasília e o Entorno, fortalecendo a economia local.
Punição aos Responsáveis e Recuperação de Valores
A apuração de desvios e a punição dos responsáveis estão em andamento, com base nas auditorias forenses realizadas. Os resultados foram enviados à Polícia Federal, Banco Central, CVM e Ministério Público, que estão investigando os crimes ocorridos. O presidente assegura que **os responsáveis serão devidamente punidos**.
A recuperação do BRB tem sido um desafio significativo, exigindo um aporte de capital de R$ 8,8 bilhões sobre um ativo de R$ 21,9 bilhões. Nelson de Souza agradeceu a participação de todos na audiência no STF, destacando o empenho em encontrar as melhores soluções para o futuro do banco.
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