Brasília perde Maria Elisa Costa, a guardiã do legado de Lucio Costa e defensora ferrenha da cidade.
A arquitetura e o urbanismo brasileiro lamentam a perda de Maria Elisa Costa, que faleceu aos 91 anos. Filha de Lucio Costa, o idealizador do Plano Piloto, Maria Elisa dedicou sua vida à preservação e à defesa da capital federal, construindo uma trajetória profissional marcante.
Sua atuação foi fundamental para garantir que Brasília fosse reconhecida como patrimônio cultural da humanidade. A notícia de seu falecimento gerou comoção e homenagens de diversas personalidades, que destacaram sua paixão pela cidade e sua coragem em defender seus princípios.
Maria Elisa Costa deixa um legado de inspiração para as futuras gerações de arquitetos e urbanistas, reafirmando a importância da memória e da preservação para a identidade de uma cidade. Conforme relatado por sua filha, Julieta Costa, ao Correio Braziliense, Maria Elisa faleceu em casa, em um momento de serenidade e afeto.
A entrega histórica do Plano Piloto e a missão de Maria Elisa
A jornalista e ex-secretária de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho, relembrou um momento crucial na história de Brasília: a entrega do projeto urbanístico do Plano Piloto. Foi Maria Elisa Costa quem, em 11 de março de 1957, protocolou o plano no Ministério da Educação e Saúde (MEC) para participar do concurso.
Gorgulho destacou que ela foi ao ministério acompanhada do pai, Lucio Costa, que aguardou no carro enquanto ela realizava o ato formal. Este gesto simboliza o início de uma longa jornada de dedicação de Maria Elisa à obra paterna e à cidade que nascia.
“Admiro ela por ser, evidentemente, filha do inventor de Brasília, por ser arquiteta e ter sempre acompanhado profissionalmente a construção e o desenvolvimento da nova capital”, afirmou Gorgulho, ressaltando a admiração pela sua atuação.
Uma vida dedicada à preservação de Brasília
Maria Elisa Costa não foi apenas filha de Lucio Costa, mas uma profissional com atuação própria e combativa. Ela foi uma **defensora incondicional do projeto do Plano Piloto**, agindo como uma verdadeira “Guardiã da ‘Casa Lucio Costa'”, como a descreveu Silvestre Gorgulho.
Sua luta pela preservação de Brasília era notória. Em entrevista ao Correio Braziliense em 2015, Maria Elisa expressou sua liberdade em criticar em nome da defesa da capital, ostentando o “crachá do Lucio”.
A governadora do DF, Celina Leão, decretou luto oficial de três dias, reconhecendo a **contribuição decisiva de Maria Elisa para a manutenção das diretrizes que tornaram Brasília um bem protegido mundialmente**. “Maria Elisa Costa é um ícone e um símbolo de Brasília”, declarou a governadora.
Contribuições icônicas e o legado familiar
Além de sua atuação na defesa do Plano Piloto, Maria Elisa Costa deixou marcas físicas na cidade. O arquiteto Thiago Andrade, que conviveu com ela quando presidia o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), citou que ela **desenhou várias partes da cidade, como o conjunto do Conic e o Setor de Autarquias Norte**.
Suas contribuições documentadas incluem a fonte da Torre de TV e a Praça dos Pedestres, na Rodoviária do Plano Piloto, locais que se tornaram parte do cotidiano de milhares de brasilienses. Em 2014, lançou o livro “Lúcio Costa, inventor de Brasília”, compartilhando memórias e a visão sobre o pai.
Rodrigo Rollemberg, ex-governador do DF, expressou sua tristeza pela morte da tia, Maria Elisa, a quem chamava de “guardiã da obra de Lucio Costa”. A família, que se descreve como um “matriarcado”, perde sua líder, mas preserva a memória de uma mulher forte e apaixonada por Brasília.
Trajetória acadêmica e profissional de Maria Elisa Costa
Maria Elisa formou-se em arquitetura em 1958 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual UFRJ. No ano seguinte, integrou a Divisão de Urbanismo da Novacap, trabalhando sob a direção de seu pai e de Augusto Guimarães Filho.
Sua carreira foi marcada pela atuação em diversos órgãos públicos e conselhos importantes para a cidade. Ela assessorou a Secretaria de Viação e Obras do Governo do DF, integrou o Conselho de Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente (Cauma) e o Conselho Técnico de Preservação de Brasília (CTPB).
De 1996 a 1998, fez parte da Comissão Especial de Brasília do Departamento de Proteção do Iphan, e entre 2003 e 2004, presidiu o próprio Iphan, consolidando sua importância na área de patrimônio histórico e artístico nacional.
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