Novas imagens de satélite revelam a magnitude do colapso de geleira no Nepal, que desencadeou inundações devastadoras.
Registros recentes capturados por satélites europeus e americanos oferecem um panorama chocante da encosta do Himalaia afetada pelo desastre. As imagens comparam a área antes e depois do colapso, evidenciando a transformação drástica da paisagem.
A análise detalhada dessas imagens, cedidas ao g1, foi conduzida pelo cientista Robert Rohde, da Berkeley Earth. Ele estima que cerca de 1 quilômetro quadrado de gelo e rocha tenha cedido, embora a área total afetada possa variar.
Essas novas informações ajudam a dimensionar a força da natureza e o impacto do evento, que inicialmente foi associado a um terremoto, mas cuja causa foi confirmada como o próprio deslizamento de massa.
Estimativa da Área Afetada e Margem de Incerteza
O cientista Robert Rohde, com base nas imagens de satélite, calculou que a área da encosta que desabou ocupava aproximadamente 1 km². Essa estimativa é baseada na identificação de uma grande cicatriz deixada pelo deslizamento na montanha.
No entanto, Rohde ressalta que a precisão é um desafio, pois é difícil distinguir apenas por imagens espaciais o que foi a massa original que cedeu e o que são detritos espalhados posteriormente. Por isso, a margem de incerteza é ampla.
A área que efetivamente cedeu pode variar entre 0,5 km² e 2 km². A estimativa de 1 km² é considerada a mais provável pelo pesquisador, mas uma avaliação in loco seria necessária para delimitar com exatidão a extensão do colapso.
O Desastre e Suas Consequências
O colapso da geleira no Nepal ocorreu na quarta-feira, 26 de agosto. O deslizamento de uma grande quantidade de gelo e rocha formou uma barreira que bloqueou temporariamente um rio na região.
Quando essa barreira natural se rompeu, uma onda massiva de água, lama e pedras avançou pelos vales, atingindo comunidades localizadas mais abaixo. O evento causou uma inundação repentina e destruidora.
Até quinta-feira, 27 de agosto, o desastre havia resultado em centenas de mortos e mais de mil desaparecidos, principalmente na área de fronteira entre o Nepal e o Tibete, conforme informações de autoridades nepalesas.
Ligação com as Mudanças Climáticas
Organizações como o Observatório do Clima lamentaram a tragédia e apontaram a forte ligação do evento com o avanço das mudanças climáticas. O Himalaia é uma das regiões do planeta que mais rapidamente aquecem.
O derretimento acelerado das geleiras, impulsionado pelo aumento da temperatura global, eleva o risco de eventos extremos como este. O alerta é que tais catástrofes podem se tornar mais frequentes e intensas no futuro.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos descartou a hipótese de terremoto, confirmando que o sinal sísmico registrado foi uma consequência direta do colapso da geleira e do fluxo de detritos, reforçando a preocupação com os impactos climáticos.
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