Cristiano Araújo expõe falhas da CLDF na gestão do BRB e alerta sobre o futuro de programas sociais
O ex-deputado distrital Cristiano Araújo (MDB) fez críticas contundentes à atuação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em relação à gestão do Poder Executivo. Em entrevista ao Jornal de Brasília, Araújo apontou que a Casa teria perdido sua “autogovernança” ao se omitir em momentos de crise, citando especificamente o rombo bilionário envolvendo o BRB e o Banco Master.
Com uma trajetória política iniciada em 2006 e marcada por três mandatos como deputado distrital, além de passagens pelas Secretarias de Turismo, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Cristiano Araújo avalia a política do DF com “muita tristeza”.
Ele lamenta a criação de “feudos” por parte de parlamentares, que indicam cargos em delegacias, batalhões, hospitais e regionais de ensino, transformando a máquina pública em um meio para consolidar poder em regiões específicas. Essa prática, segundo ele, prejudica a população, que acaba perdendo acesso a serviços essenciais como saúde e educação de qualidade.
Críticas à omissão da CLDF no caso BRB
Cristiano Araújo expressou profunda insatisfação com a forma como a CLDF tratou a questão do rombo de R$ 10 bilhões envolvendo o BRB. Ele questiona a falta de explicações claras sobre a origem do prejuízo e a ausência de investigações rigorosas por parte da Câmara, que teria o papel fiscalizador do Executivo.
“A oposição fez o papel dela, mas tínhamos 18 deputados da base e não me lembro de nenhum ter dito que passou do limite”, afirmou Araújo, ressaltando que o BRB atende cerca de 450 mil pessoas através de 16 programas sociais, como auxílio-material escolar e auxílio-aluguel.
O ex-deputado enfatiza que a omissão da CLDF pode comprometer a continuidade desses programas, caso o banco seja vendido ou feche. “O problema é muito mais grave do que o povo imagina, e o BRB acabou ‘comprando’ a base para evitar o debate”, declarou.
Desvalorização do professor e o futuro da educação
Araújo também abordou a situação da educação no Distrito Federal, destacando a “remuneração defasada” dos professores em relação ao custo de vida na capital. Ele defende um debate de alto nível para a criação de um plano de cargos e salários adequado e para reverter o alto índice de professores afastados da sala de aula.
“A profissão de educador é a mais nobre que existe e não pode ser tratada como um serviço temporário”, argumentou, manifestando apoio à candidatura de reeleição de Celina Leão (PP) e o compromisso de discutir melhorias na educação.
Propostas para geração de emprego e desenvolvimento
Com uma família pioneira em Brasília e geradora de cerca de 5 mil empregos, Cristiano Araújo defende a manutenção do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) em 1% e se opõe ao aumento de impostos, pois considera que isso sufoca o cidadão.
Ele relembra a redução do ICMS sobre o combustível de aviação de 12% para 4% durante sua gestão na Secretaria de Turismo, medida que impulsionou o setor e gerou um “boom no turismo”, com hotéis atingindo 80% de ocupação e a construção de mais de 2.000 quartos.
Legislação e compromisso com o cidadão
Ao longo de seus mandatos, Cristiano Araújo e sua equipe aprovaram 45 leis com impacto direto no dia a dia do cidadão, incluindo o teste do olhinho para diagnóstico precoce de problemas visuais em recém-nascidos, a lei do banco de células para tratamentos de medula, a preferência de assentos no transporte público para idosos e gestantes, e o fim da venda casada em cinemas.
Para um eventual quarto mandato, Araújo promete um trabalho com “proposições inteligentes, sem extremismos, pensando no bem de Brasília e do país”, com responsabilidade orçamentária para investir nas áreas de saúde e educação, onde a população mais precisa.
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