Natacha Franco reencontra a serenidade em Brasília, trilhando um caminho de superação após as cicatrizes da guerra civil angolana e buscando novas oportunidades no Brasil.
Nascida em Portugal, mas com as raízes fincadas na infância em Luanda, Angola, Natacha Franco, de 56 anos, carrega em sua trajetória múltiplas nacionalidades e experiências marcantes. Sua vida, que se desenrolou em diferentes continentes, é um testemunho de resiliência e busca por um recomeço.
As lembranças da guerra civil angolana, que a atingiu ainda na tenra idade de quatro anos, são vívidas. A empresária recorda-se dos sons assustadores de tiroteios e bombas, e dos momentos em que precisava se esconder sob a cama, como instruía sua avó.
Apesar de sua família ter raízes antigas em Angola, a instabilidade política e o caos gerado pela guerra civil após a independência do país em 1975 forçaram sua família, de ascendência majoritariamente portuguesa, a buscar refúgio. Conforme relatado por Natacha, eles foram auxiliados pelas tropas sul-africanas a deixar a região em meio ao cenário de insegurança. Essa informação foi divulgada pela Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub.
Um Retorno ao Passado e a Fuga Necessária
Natacha descreve Angola como um lugar de beleza singular, com praias deslumbrantes, onde, segundo sua mãe, Gina Pontes, camarões eram oferecidos gratuitamente. No entanto, a guerra impôs uma partida dolorosa. A mãe de Natacha, Gina Pontes, enfrentou desafios pessoais antes mesmo da fuga, tendo engravidado aos 17 anos e buscando recomeçar em Portugal e na Inglaterra.
A família se reuniu em Angola, mas logo a guerra eclodiu, transformando a vida de Natacha e de sua mãe. Gina Pontes, fluente em cinco idiomas, desempenhou um papel crucial na comunicação entre as tropas sul-africanas e os portugueses, facilitando a evacuação de sua família. Foi nesse período turbulento que Gina conheceu Nico Lotter, militar sul-africano que se tornou padastro de Natacha.
A Vida em Trânsito: África do Sul e a Busca por Oportunidades
A casa da avó de Natacha se tornou um ponto de apoio para os militares, onde a comida preparada por ela alimentava a todos. A família foi uma das últimas a serem auxiliadas pelas tropas sul-africanas, sendo transportadas de caminhão para a África do Sul. Na Cidade do Cabo, Natacha se adaptou rapidamente, tornando-se fluente em inglês em poucos meses e aprendendo o africâner com vizinhos.
A África do Sul se tornou um lar para Natacha, que descreve o país como sua terra e seu coração. Ela cursou faculdade de comércio, estudou shiatsu e iniciou nutrição. Contudo, o cenário profissional pós-presidência de Nelson Mandela tornou-se mais desafiador para pessoas brancas, levando muitos a buscarem novas oportunidades no exterior.
Um Novo Capítulo no Brasil: Maternidade e Empreendedorismo
Seguindo o fluxo de muitos que deixavam o país, Natacha mudou-se para a Inglaterra com seu futuro marido e pai de suas filhas, Gregory. Grávida, trabalhou em uma loja de suplementos, onde se sentia bem com o salário. Um chamado de sua avó a trouxe ao Brasil, especificamente para Brasília, onde ela pretendia apenas dar à luz e retornar à Inglaterra.
No entanto, Natacha e Gregory se encantaram pelo Brasil e decidiram permanecer. A experiência do parto de sua primeira filha, Taiana Amor, foi marcada por uma abordagem alternativa, com o uso de técnicas de respiração e uma pequena dose de ayahuasca, que Natacha descreve como uma experiência que a conectou com seu instinto materno. Essa informação foi divulgada pela Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub.
Brasília: O Porto Seguro e a Realização Profissional
Com experiência em restaurantes, Natacha aceitou o convite de seu tio para abrir um empreendimento em conjunto. O restaurante “A Tribo”, iniciado em 2001, evoluiu de um conceito vegetariano e vegano para um espaço com influências culinárias indianas, tailandesas e brasileiras, sempre mantendo uma linha natural.
Aos 35 anos, teve sua segunda filha, Kiara Sol, em casa. Apesar da saudade da cultura e das pessoas de sua terra, e dos desafios de superar a guerra, barreiras linguísticas, novas adaptações, maternidade e empreendedorismo, Natacha sente que sua jornada fluiu da maneira certa. Uma antiga vidente havia previsto sua moradia no Brasil, uma previsão que, na época, Natacha considerou improvável. Hoje, ela encontra em Brasília um lugar de paz e realização.
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