PF rejeita segunda tentativa de delação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master
A Polícia Federal comunicou aos advogados de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, a rejeição da nova versão da proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro. Esta é a segunda vez que a PF nega um acordo com Vorcaro, que está preso desde 4 de março.
A Operação Compliance Zero, na qual Vorcaro está detido, investiga um extenso esquema de fraudes financeiras que, segundo as autoridades, representa um dos maiores casos de corrupção do país, envolvendo cifras bilionárias e uma rede de proteção institucional.
A decisão da PF foi informada aos representantes legais do ex-banqueiro na última quarta-feira (10). A investigação policial tem avançado em diversas frentes, com prisões e fases que revelam a complexidade do esquema. Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, a matéria é baseada em informações da fonte contéudo1.
A Cronologia da Operação Compliance Zero e as Prisões de Vorcaro
Daniel Vorcaro foi inicialmente preso em flagrante em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai. Na mesma época, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e sua corretora de câmbio devido a suspeitas de fraudes na emissão de títulos de crédito.
Após 11 dias detido, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) substituiu sua prisão por medidas cautelares, permitindo sua soltura sob monitoramento eletrônico. No entanto, Vorcaro voltou a ser preso preventivamente em 4 de março deste ano, por determinação do ministro do STF André Mendonça.
“A Turma”: O Grupo de Inteligência e Coerção de Vorcaro
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro liderava um grupo conhecido como “A Turma”, especializado em inteligência e coerção. Este grupo seria responsável por invasões de dispositivos eletrônicos e pela intimidação de desafetos e jornalistas. Durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, foram presos também o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e Luiz Philip Mourão, o “Sicário”, que morreu na prisão.
Dois dias após sua segunda prisão, Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília. A operação continuou a se desdobrar com fases que atingiram núcleos políticos e familiares ligados ao ex-banqueiro.
Avanços da Investigação: Núcleos Político e Familiar na Mira
Em 16 de abril, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso sob suspeita de receber imóveis de luxo como propina para viabilizar operações financeiras sem lastro envolvendo o Banco Master. Em 7 de maio, a quinta fase da operação mirou endereços ligados ao senador Ciro Nogueira, com a PF sustentando que o parlamentar teria usado seu mandato para favorecer Vorcaro em troca de vantagens.
Em 13 de maio, áudios de Flávio Bolsonaro revelaram pedidos de apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, de Jair Bolsonaro. O senador confirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro em dezembro de 2025. No dia seguinte, 14 de maio, Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, foi preso sob suspeita de atuar no grupo de intimidação.
Primeira Delação Rejeitada e Nova Equipe Jurídica
Em 20 de maio, a Polícia Federal rejeitou formalmente a primeira proposta de delação premiada de Vorcaro, considerando o material superficial e omisso quanto a aliados políticos. Após essa decisão, o ex-banqueiro reformulou sua equipe jurídica, com o advogado criminal Sérgio Leonardo assumindo a frente do caso, que antes contava com 14 integrantes e foi reduzida para cinco.
A análise dos bastidores indicava que o advogado José de Oliveira Lima, conhecido como Juca, havia tensionado a relação com o ministro André Mendonça, dificultando o avanço de um acordo. A nova proposta de delação, protocolada na PGR entre 1º e 2 de junho, ampliou o conteúdo, detalhando relações com integrantes dos Três Poderes e incluindo informações sobre o financiamento do filme de Flávio Bolsonaro e pagamentos a Ciro Nogueira.
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