Rodrigo Paz promulga lei de estado de exceção e rejeita renúncia, intensificando crise política na Bolívia.
A Bolívia vive um momento de alta tensão política após o presidente Rodrigo Paz promulgar uma nova lei que regulamenta o estado de exceção. A medida autoriza as Forças Armadas a atuarem na contenção de protestos, que já ultrapassam um mês e causam dificuldades de abastecimento em diversas cidades, como La Paz.
Rodrigo Paz, em pronunciamento, descartou a possibilidade de renunciar ao cargo, declarando enfaticamente que seu governo pretende concluir o mandato. Ele classificou os grupos que organizam as manifestações como “narcoterroristas” e prometeu que os responsáveis pelos protestos serão derrotados, afirmando que “os dias deles estão contados”.
A nova legislação, ao entrar em vigor, poderá impor restrições às liberdades de circulação e de reunião. Durante a cerimônia de assinatura da lei, o presidente dirigiu-se aos militares, pedindo firmeza na restauração da ordem pública, mas ressaltando a importância de respeitar os limites constitucionais e os direitos humanos.
Militares autorizados a atuar e restrições a liberdades
Com a promulgação da lei, as Forças Armadas bolivianas terão a prerrogativa de intervir na contenção de manifestações populares. Rodrigo Paz instruiu os militares a agirem com “firmeza e profissionalismo”, sempre em conformidade com a Constituição e os direitos humanos, para garantir o futuro do país.
A legislação abre caminho para possíveis restrições significativas às liberdades de circulação e de reunião, medidas que podem aprofundar o conflito social. Os protestos, que exigem a saída de Rodrigo Paz, têm impactado o abastecimento de produtos essenciais em várias regiões, gerando apreensão na população.
Evo Morales critica lei e apela à comunidade internacional
O ex-presidente Evo Morales, acusado pelo governo de liderar as manifestações, embora negue as acusações, manifestou forte crítica à nova lei. Morales utilizou suas redes sociais para pedir atenção e vigilância de organismos internacionais.
“Solicitamos o acompanhamento e a vigilância permanentes dos organismos internacionais para resguardar o Estado de Direito e as liberdades fundamentais do povo boliviano”, escreveu Evo Morales, buscando apoio externo para a situação no país.
Contexto de tensão e bloqueios de estradas
A aprovação da lei ocorre em um cenário de crescente tensão política, com bloqueios de rodovias que já duram mais de um mês. Esses protestos têm dificultado o abastecimento e gerado transtornos em cidades importantes, incluindo a capital administrativa, La Paz.
Rodrigo Paz reiterou sua determinação em permanecer no poder até 2030, classificando os opositores como ameaças à estabilidade boliviana. A situação segue delicada, com os ânimos exaltados de ambos os lados.
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