A Capital do Brasil Já Teve Prefeitos? Uma Viagem no Tempo da Organização Política do DF
Atualmente, o Distrito Federal possui uma estrutura política híbrida, que concentra competências geralmente divididas entre governos estaduais e municipais em outras partes do país. No entanto, essa não foi sempre a forma de gestão da capital federal. Por um período de nove anos, o DF operou sob um modelo diferente, com a figura do prefeito.
O eleitorado do DF, ao se dirigir às urnas para escolher seu governador, experimenta um sistema singular. Embora a capital seja dividida em Regiões Administrativas, estas não possuem o status de municípios, uma vedação constitucional. A ausência de prefeitos e vereadores, substituídos por deputados distritais na Câmara Legislativa, é a norma atual.
Contudo, a história de Brasília revela uma realidade distinta. Desde sua criação em 1960, a cidade contou com doze prefeitos. Conforme informação divulgada pelo g1, essa organização política passou por transformações significativas, refletindo as mudanças no cenário nacional e as necessidades de consolidação da nova capital. Essa evolução culminou na estrutura que conhecemos hoje.
Os Primeiros Anos e a Era dos Prefeitos Indicados
Com a mudança do Distrito Federal do Rio de Janeiro para o Centro-Oeste em 1960, a escolha do chefe do Executivo local seguia um modelo de indicação. O Presidente da República, com o aval do Senado, nomeava o prefeito. O primeiro a ocupar este cargo foi Israel Pinheiro, figura central na construção da capital.
Israel Pinheiro, que também presidia a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), foi fundamental na criação de órgãos essenciais para a administração da nova cidade, como as secretarias gerais de Administração e Assistência. Essa forma de indicação, segundo o historiador Robson Eleuté rio, visava fortalecer Brasília como centro de poder.
Eleuté rio explica que era crucial consolidar Brasília na região para dar continuidade às obras e ao projeto da nova capital. Havia, naquela época, um movimento “antimudancista” que se opunha à transferência da capital do Rio de Janeiro. A indicação do prefeito servia, em parte, para garantir a estabilidade administrativa nesse contexto.
Fim do Cargo de Prefeito e a Transição para Governadores
O cargo de prefeito do Distrito Federal foi extinto em outubro de 1969, por meio da Emenda Constitucional nº 1, promulgada durante o regime militar. O historiador Robson Eleuté rio aponta que essa mudança para a figura do governador era uma tentativa de conferir uma “certa aparência de que tinha a intenção de caminhar para o regime democrático”.
O último prefeito a exercer o cargo foi Wadjô da Costa Gomide, que deixou a prefeitura em 1969. Durante sua gestão, foram realizadas obras importantes como a construção do Palácio do Buriti, que permanece até hoje como sede do governo local, e a criação da Companhia de Eletricidade de Brasília (CEB).
A Longa Espera pela Escolha Democrática do Governador
Apesar da extinção do cargo de prefeito em 1969, o eleitor do DF teve que esperar até a Constituição de 1988 para poder escolher democraticamente seu governador. No período entre 1969 e 1988, os governadores foram nomeados pelo Presidente da República, sendo conhecidos como “governadores biônicos” da ditadura.
Somente trinta anos após a fundação de Brasília, em 1990, o Distrito Federal elegeu seu primeiro governador de forma democrática. Joaquim Roriz, que na época era ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo de Fernando Collor, já havia ocupado o cargo anteriormente, mas por nomeação do ex-presidente José Sarney.
Lista Completa dos Prefeitos do Distrito Federal (1960-1969):
A lista de gestores que ocuparam o cargo de prefeito do Distrito Federal, conforme divulgado pelo g1, é a seguinte:
Israel Pinheiro da Silva – (17/04/1960 a 31/01/1961)
Segismundo de Araújo Mello – (05/05/1960 a 05/08/1960) (Prefeito interino)
Bayard Lucas de Lima – (01/02/1961 a 06/02/1961) (Prefeito interino)
Paulo de Tarso Santos – (6/02/1961 a 25/08/1961)
Diogo Lordello d Mello – (26/08/1961 a 13/10/1961)
Ângelo Dário Rizzi – (13/10/1961 a 6/11/1961)
José Sette Câmara Filho – (6/11/1961 a 22/08/1962)
Ivo de Magalhães – (28/08/1962 a 31/03/1964)
Luiz Carlos Victor Pujol – (03/4/1964 a 09/4/1964)
Ivan de Souza Mendes – (9/04/1964 a 18/05/1964)
Plínio Reis de Catanhede Almeida – (18/05/1964 a 15/03/1967)
Wadjô da Costa Gomide – (31/03/1967 a 30/10/1969)
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