Série “Caôs Urbanos” estreia no Canal Brasil e transforma greve de ônibus em trama sobre Brasília
Uma greve que paralisa Brasília. Essa premissa instigante dá origem à série ficcional “Caôs Urbanos”, que estreou neste domingo (4/10) no Canal Brasil. Composta por quatro episódios de quarenta minutos cada, a narrativa se desenrola a partir de um evento chocante: um tiroteio em um ônibus que resulta no assassinato do cobrador José Eustáquio Gonçalves. Este crime desencadeia a paralisação do transporte público na cidade, mergulhando a capital em um cenário de caos.
A série acompanha os desejos, dilemas e afetos dos personagens, todos atravessados pela questão da mobilidade urbana. “Apesar da greve ser um movimento paralisador, os personagens começam a movimentar suas vidas a partir desse fato”, explica o diretor, Cássio Oliveira. A produção, filmada no Distrito Federal e Entorno, busca desconstruir a imagem de “cidade do poder”, focando na Brasília do dia a dia, na cidade orgânica e nas pessoas que trabalham e dependem do transporte público.
A trama é guiada pelos protagonistas Nonato (Ricardo César), Rosa (Bete Virgens) e Giovanna (Roberta Rangel). Cada um deles representa uma perspectiva distinta da greve: a visão de quem está ligado ao sindicato, a de quem depende do ônibus para seu sustento e a de quem comanda uma empresa de transportes. O roteiro, assinado por Renata Diniz e Vítor Camargo de Melo, tece a conexão entre esses personagens através dos impactos diretos e indiretos da paralisação.
Nonato, o Sindicalista em Conflito
Nonato, interpretado por Ricardo César, é um personagem dedicado ao trabalho e a valores éticos inabaláveis. Sua devoção ao sindicato, contudo, começa a afetar sua relação familiar. Paralelamente, seu antigo pupilo, Serjão, articula-se para minar sua posição. Para César, dar vida a Nonato foi um “presente”. “Nonato não é um homem que gosta de ser confrontado. Ele evita o confronto, por isso acaba chegando à sua própria ruína”, reflete o ator sobre a complexidade de seu personagem.
Estela e Oswaldo: Jovens e Experiência em Cena
Outras figuras são cruciais para o desenvolvimento da trama. Estela, vivida por Chloe Silva, é uma jovem inquieta que depende do transporte público para estudar e diverge de seu pai em suas convicções. A atriz destaca a relação entre pai e filha como um ponto forte: “Ela vive uma dualidade de sentimentos em relação ao que acredita e ao que o pai acredita e não deixa com que essa divergência afete no carinho deles, muito pelo contrário, isso fortalece o laço entre os dois em diversos momentos da série”.
Oswaldo, por sua vez, conhece os bastidores dos negócios e mantém uma relação de lealdade com seu antigo patrão, que faleceu recentemente. Com Giovanna assumindo a empresa sem ter experiência prévia, ele se vê no papel de ensiná-la sobre “o jogo, as regras e tudo o que acontece por trás”, nas palavras de Wellington Abreu, que interpreta o personagem. A série reúne mais de 100 profissionais do DF em sua equipe técnica e artística.
“Caôs Urbanos”: Um Retrato da Brasília Cotidiana
A produção, realizada pela Trotoar Audiovisual, produtora brasiliense, propõe-se a mostrar uma faceta diferente da capital. “A gente se propõe a circular por outros espaços, pela cidade de trás. Fazer ver outras cidades satélites e o entorno de Brasília. A cidade de todo dia, a cidade orgânica, a cidade das pessoas que trabalham, que pegam ônibus”, afirma o diretor Cássio Oliveira. Os episódios são exibidos aos domingos de outubro, com reprises às quartas e sextas-feiras. Em novembro, o Canal Brasil oferecerá exibições em formato de maratona.
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