Governo brasileiro intensifica negociações com a União Europeia para reverter exclusão da carne brasileira da lista de importadores autorizados.
O governo brasileiro está empenhado em reverter a decisão da União Europeia de excluir o país da lista de exportadores autorizados, uma medida que impacta diretamente o setor de carnes. A União Europeia alega uso excessivo de antimicrobianos na pecuária nacional como motivo para a exclusão, que entra em vigor em setembro.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) tem intensificado as conversas com representantes do bloco europeu. O ministro Mauro Vieira já se reuniu com o comissário de Comércio da UE, Maroš Šefčovič, para discutir a questão e buscar soluções.
O objetivo é reverter a decisão, pelo menos parcialmente, antes que ela se torne efetiva. Simultaneamente, o Ministério da Agricultura e o setor privado trabalham em propostas técnicas para atender às exigências europeias, que incluem garantias sobre o uso de antimicrobianos e a possibilidade de visitas técnicas aos criadouros.
Setor Defende Qualidade e Busca Soluções Técnicas
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), assegura que não há problemas sanitários com a carne brasileira. Ele ressalta que o setor já adota controles rigorosos, mas está aberto a reforçar a fiscalização para evitar perdas significativas nas exportações para a Europa.
Santin explicou que a Europa não está questionando o cumprimento das exigências pelo Brasil, mas sim a falta de garantias oficiais. A proposta é adicionar uma camada extra de fiscalização, onde o Ministério da Agricultura também certifique os processos, indo além do autocontrole das empresas e declarações dos produtores.
A União Europeia é um dos maiores mercados para carne de aves e bovina brasileira, com exportações que somam mais de US$ 1 bilhão anualmente, um valor de grande importância para a economia do Brasil. A exclusão da lista representa um risco real para essa balança comercial.
União Europeia Formaliza Exclusão e Brasil Busca Respostas
Na última sexta-feira, a União Europeia publicou um documento oficializando a exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as regras contra o uso excessivo de antimicrobianos. Na lista anterior, o Brasil constava como autorizado a exportar diversos produtos, incluindo carne bovina e de frango.
Conforme o documento europeu, o Brasil não apresentou as informações exigidas pela Comissão Europeia que comprovariam o cumprimento dos requisitos sobre antimicrobianos. A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o retorno à lista é possível assim que os requisitos forem comprovados.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) reafirmou sua confiança no sistema de inspeção sanitária brasileiro e no trabalho do Ministério da Agricultura, informando que medidas já foram tomadas e que a entidade segue cooperando para o fortalecimento dos controles sanitários.
Contexto da Exclusão e Outros Países do Mercosul
O Brasil foi o único país a ser removido da lista por não apresentar as informações solicitadas pela UE. Outros países, como Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul, permanecem autorizados a exportar suas carnes para o bloco europeu.
A decisão da UE afeta não apenas a carne bovina e de frango, mas também outros produtos como tripas, peixe e mel. O governo brasileiro expressou surpresa com a decisão no início de maio e iniciou imediatamente as negociações para reverter o quadro.
Enquanto isso, 21 países e territórios foram incluídos na lista da UE, demonstrando um movimento de reconfiguração das parcerias comerciais do bloco no setor de alimentos. O governo brasileiro trabalha ativamente para garantir que a carne do país volte a ter acesso irrestrito ao mercado europeu.
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