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Ceilândia: A Alma Nordestina que Molda Brasília, Celebrando o Dia do Nordestino com Tradição e Pertencimento

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Ceilândia se consolida como reduto da cultura nordestina no Distrito Federal, celebrando a identidade e a herança de migrantes

Neste 8 de outubro, Dia do Nordestino, a cidade de Ceilândia emerge como um poderoso símbolo de pertencimento para incontáveis migrantes da região Nordeste no Distrito Federal. A influência nordestina é tão marcante que a cidade é frequentemente chamada de a capital da cultura nordestina no DF, um título conquistado com luta, tradição e muita hospitalidade.

A força dessa migração é evidenciada por dados recentes. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) Ampliada de 2024, realizada pelo Instituto de Pesquisa do DF (IPE-DF), mais da metade dos residentes no Distrito Federal vieram do Nordeste, totalizando aproximadamente 646 mil pessoas. Esses números refletem a profunda integração e a contribuição inestimável desses cidadãos para a formação da identidade brasiliense.

O Jornal de Brasília visitou a Feira Central de Ceilândia, um microcosmo vibrante dessa realidade, conversando com aqueles que mantêm viva a chama da cultura nordestina. A feira não é apenas um centro de comércio, mas um ponto de encontro, de memórias e de celebração da herança que atravessou o país e fincou raízes profundas no coração do Brasil.

A Feira Central: Um Legado Pernambucano em Ceilândia

Dona Claudete Cirino, 52 anos, é um exemplo vivo dessa história. Vinda de Pernambuco ainda criança com seus pais, que foram pioneiros e participaram da construção de Brasília, ela hoje gerencia a banca “Estação Nordeste” na Feira Central. “Eu trabalho aqui desde adolescente, era a banca do meu tio, também pernambucano, e ele deixou para a gente continuar o legado aqui na feira”, relata Dona Claudete, orgulhosa de manter viva a culinária de sua terra natal.

A Feira Central de Ceilândia é um paraíso para os amantes da gastronomia nordestina, oferecendo pratos tradicionais como rabada, caldo de mocotó e sarapatel. Mais do que comida, o local reúne histórias de migrantes de todos os estados do Nordeste, consolidando Ceilândia como um polo cultural. “É muito bom trazer essa cultura do Pernambuco, do Nordeste para cá. O povo aceita muito. Muita gente, no começo, pensou que as pessoas não iam aceitar, mas a recepção foi ótima. Em Ceilândia principalmente é um lugar que tem muito nordestino, muita gente boa”, celebra Dona Claudete.

Brasília: Um Caldeirão Cultural com Forte Influência Nordestina

Christiane Machado Coêlho, professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), explica que a mistura regional é uma característica intrínseca de Brasília, e a influência nordestina se destaca pela quantidade de “candangos” que vieram para a construção da capital. “As pessoas vindas do Nordeste foram pioneiras, foram candangas, participaram da construção material da cidade, e também até hoje estão muito presentes na produção imaterial de Brasília, na produção cultural. A cultura nordestina aqui é muito forte”, afirma a professora.

O elemento identitário que liga o Nordeste ao DF sempre foi muito forte. As primeiras festas na cidade eram as festas dos estados, com forte presença da cultura nordestina. “Até hoje, por exemplo, isso é muito forte. A gente tem a Casa do Cantador na Ceilândia, que é considerada uma cidade predominantemente nordestina, embora também, óbvio, seja brasiliense”, aponta Christiane.

Ceilândia: Uma Casa para os Nordestinos no DF

Para Marilene Moura, 50 anos, cearense que também trabalha na Feira Central, ser nordestina no DF representa uma trajetória de luta e superação. “Vim para Brasília com 10 anos com minha família, éramos oito irmãos. Decidimos vir para cá para conseguir melhores condições de vida. E daí fomos criados todos aqui praticamente. Eu me sinto em casa”, compartilha.

A professora Christiane Coêlho destaca que, ao contrário de outras metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo, Brasília não apresenta a mesma hierarquização ou preconceito em relação à cultura nordestina. “É como se fosse realmente uma casa de todos, embora com uma estratificação territorial muito grande, que é uma característica muito marcante de Brasília”, observa.

Os nordestinos estão presentes em todas as regiões administrativas, formando um substrato cultural fundamental para o DF. “Eu acho que a cultura nordestina aqui está muito presente como um substrato comum da própria cultura brasiliense, até de elementos que são considerados patrimônios de Brasília”, conclui a professora. Como bem disse Dona Claudete, Ceilândia e Brasília são, sem dúvida, um pedacinho do Nordeste no centro do país, um lugar onde os migrantes se sentem verdadeiramente em casa.

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