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Eleições no Peru: Filha de ex-presidente condenado e esquerdista ‘camponês’ disputam o segundo turno em cenário acirrado

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Peru se prepara para segundo turno presidencial em disputa acirrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, refletindo divisões históricas.

O Peru definirá seu próximo presidente neste domingo (7) em um segundo turno eleitoral que promete ser extremamente disputado. A disputa final colocará frente a frente Keiko Fujimori, herdeira política de um ex-mandatário condenado, e Roberto Sánchez, um esquerdista que se tornou conhecido por seu chapéu camponês característico.

As pesquisas de intenção de voto indicam um cenário de grande equilíbrio, sugerindo que o vencedor será eleito por uma margem mínima. Essa indefinição já marcou o primeiro turno, que exigiu um mês de apuração voto a voto para definir os finalistas, evidenciando a polarização na sociedade peruana.

Tanto Keiko Fujimori quanto Roberto Sánchez possuem trajetórias consolidadas na política peruana, com ligações profundas com governos passados. A análise de seus perfis e propostas é crucial para entender os rumos que o país pode tomar. Conforme divulgado em reportagens, o próximo presidente do Peru enfrentará desafios significativos em um contexto de instabilidade política e social.

Keiko Fujimori: O legado do pai e a busca pela presidência em sua quarta tentativa

Keiko Fujimori, que liderou o primeiro turno com 17,17% dos votos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, figura controversa que governou o Peru por mais de uma década e cumpriu pena de prisão por violações de direitos humanos. O legado de seu pai ainda divide opiniões no país, com defensores apontando a estabilidade econômica e o combate ao terrorismo como marcos de seu governo, enquanto críticos apontam o autoritarismo e a corrupção.

Esta é a quarta vez que Keiko Fujimori disputa a presidência, tendo chegado ao segundo turno em todas as ocasiões anteriores. Nas campanhas passadas, buscava se distanciar da imagem paterna, mas nesta eleição tem abraçado políticas públicas implementadas durante a gestão de Alberto Fujimori. Aos 51 anos, com formação em administração, Keiko tem se apresentado como a candidata capaz de restaurar a ordem e a segurança, explorando o aumento da violência e da extorsão no país.

Seu discurso mais firme e a aliança com certas ideias de seu pai foram interpretados como o surgimento de uma “nova Keiko”. Apesar disso, seu partido busca diferenciá-la, apresentando-a como uma opção mais democrática. Sua rejeição, que já foi de 59% no primeiro turno, caiu para 40%, segundo o Ipsos Peru. Além de promessas de segurança, ela também propõe programas sociais para famílias de baixa renda.

Roberto Sánchez: O ‘camponês’ que defende um novo Peru e a liberdade de Castillo

Roberto Sánchez, de 57 anos, emergiu como uma surpresa eleitoral, crescendo nas pesquisas nas semanas finais do primeiro turno, quando obteve 12,03% dos votos. Criado em uma família indígena no sul do Peru, Sánchez teve uma origem humilde e chegou a considerar a vida religiosa. Sua trajetória política foi impulsionada pelo trabalho social ligado à Igreja.

Sua imagem pública é marcada pelo chapéu de palha típico da região andina de Cajamarca, um acessório que remete ao ex-presidente Pedro Castillo, seu ex-chefe e que atualmente está preso sob acusação de tentativa de golpe. Sánchez visita Castillo com frequência e afirma que lhe concederá indulto, caso eleito, embora negue que isso represente uma devolução de poder ao ex-aliado.

Entre suas principais propostas está a convocação de uma nova Assembleia Constituinte para elaborar uma nova Constituição, substituindo a atual, criada durante o governo Fujimori. Sánchez defende maior controle estatal sobre recursos naturais, impostos sobre grandes fortunas e reformas profundas no combate à corrupção, com penas mais severas e proibição vitalícia de ocupar cargos públicos. Ele também propõe o apoio das Forças Armadas à polícia no combate ao crime organizado.

Controvérsias e propostas sociais marcam a reta final da campanha

Ambos os candidatos enfrentam controvérsias. Keiko Fujimori foi investigada por suposto financiamento irregular de campanha, com períodos de prisão preventiva. Já Roberto Sánchez é alvo de acusações de declarações falsas em processos administrativos e falsificação de informações de campanha, com o Ministério Público tendo solicitado sua prisão.

Enquanto Keiko foca em segurança rígida e medidas antiterroristas, Sánchez se apresenta como defensor de um novo começo para o Peru, com ênfase na justiça social e na soberania econômica. As propostas de Sánchez incluem apoio ao aborto em casos específicos de estupro ou risco de vida para a gestante, além de oposição a qualquer forma de discriminação. A escolha entre a continuidade do legado Fujimori, com um toque de modernização, e a promessa de uma ruptura profunda com o sistema atual definirá o futuro do Peru.

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