Brasília se revela capital fashion com desfile autoral que exalta a identidade e o empreendedorismo local
As luzes da passarela se acenderam no icônico Hotel Brasília Palace, revelando muito mais do que tendências de moda. O desfile “Brasília — Uma cidade que inspira. Uma moda que expressa”, promovido pelo Grupo Brasília de Moda (GBM), transformou a moda da capital em um poderoso manifesto de identidade e criatividade.
O evento, realizado nesta segunda-feira (15/6), celebrou a força da moda autoral do Distrito Federal, apresentando coleções de marcas como Allegrinho Kids, KNK Fitwear, Lago por Luiz Antônio, Nágela Maria, Soul Livier, Traje Sport, Vento Radical e Vilma Rocha. A iniciativa visa fortalecer o setor e gerar oportunidades para pequenos empreendedores, como informado pela idealizadora do GBM, Nágela Maria.
“Nós lutamos muito para chegar nesse lugar. Nasceu em Brasília, e vamos dar continuidade até morrer, porque acho que nada vai apagar o brilho da moda local daqui”, declarou Nágela Maria. A declaração ressalta a paixão e a perseverança por trás da consolidação da moda na capital, impulsionada por empresas independentes que apostam na produção artesanal e em peças únicas, feitas à mão com dedicação e cuidado.
Fortalecendo a Moda Autoral e o Empreendedorismo Local
O GBM reúne um coletivo de empresas independentes que se destacam pela produção artesanal e pelo foco em peças de alta qualidade. “São marcas simples, marcas que estão começando, trabalhadas e feitas à mão, com muita dificuldade, de bordado e de costuras”, explicou Nágela Maria, enfatizando o público-alvo composto por lojistas, empresários e entusiastas da moda.
A empresária Socorro Vale, proprietária da Vento Radical, especializada em moda praia e fitness, compartilhou sua experiência. Conhecida também por confeccionar uniformes para a rede pública de ensino, ela apresentou uma coleção que celebra a diversidade. “A minha moda é inclusiva. Eu procuro sempre trazer modelos plus size e negras”, afirmou Socorro Vale.
Socorro Vale destacou a importância das peças sob medida para atender a diferentes biotipos. “Às vezes, a mulher é número 48 na parte de cima e 50 embaixo. Eu faço sob medida, porque é um estilo que as pessoas têm muita dificuldade de encontrar, algo que caiba no corpo delas”, detalhou, evidenciando o compromisso da Vento Radical com a valorização de cada corpo.
Representatividade e Identidade Cultural na Passarela
A representatividade foi um dos pilares do desfile, com a participação especial do coletivo e marca experimental Tela Ambulante. Convidada pela organização, a marca apresentou uma manifestação de upcycling, técnica que consiste em transformar peças usadas em novas criações. As modelos Nathalia Mendes e Jessica de Oliveira ressaltaram que o trabalho busca dar visibilidade a grupos historicamente excluídos das passarelas.
“A marca representa os corpos periféricos, os corpos que sempre são marginalizados. A gente busca trazer e renovar também as roupas. Tanto a periferia, quanto os corpos negros, quanto as pessoas trans, que realmente são marginalizadas”, explicou Nathalia Mendes, destacando a força da moda como ferramenta de inclusão e empoderamento.
Jessica de Oliveira acrescentou que as peças da Tela Ambulante carregam elementos que dialogam com a memória e a identidade cultural. “Nas roupas a gente coloca frases de músicas, nomes de pessoas que trazem essa representatividade para gente, desenhos que trazem muito do nosso passado. Então, a gente trabalha muito com essa parte histórica também”, complementou, sublinhando a profunda conexão entre moda, história e ancestralidade.
Reconhecimento e Fomento à Economia Criativa
O evento contou com a presença de personalidades importantes, como o empresário Paulo Octávio, que elogiou a qualidade da produção de moda em Brasília. “Foi-se o tempo em que o brasiliense tinha que procurar moda no Rio de Janeiro, em São Paulo, em outros estados. Hoje, Brasília tem figurinistas extraordinários, tem produtores de moda extraordinários”, enfatizou.
Paulo Octávio ressaltou o potencial da capital como centro de moda no Centro-Oeste. “Esse desfile mostra muito bem como nós podemos fazer moda em Brasília, que é a capital fashion de toda a região Centro-Oeste. Então, valorizar a moda, valorizar o que é produzido em Brasília é sensacional”, pontuou.
Liana França Alagemovits, vice-presidente da Associação Comercial do Distrito Federal, destacou a importância do fomento à cultura e à economia criativa. “Reviver a GBM para a gente é um grande orgulho, e temos de estar juntos. Além disso, temos um conselho de design fantástico, onde a gente trata de economia criativa”, assinalou.
“Temos projetos com a Unesco tratando dos territórios da economia criativa no DF e estimulando nossos artistas, nossos artesãos, e capacitando também para que a indústria da moda possa reviver”, completou Liana, evidenciando as iniciativas que visam impulsionar o setor e fortalecer a cadeia produtiva da moda em Brasília, promovendo a cultura e a geração de renda.
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