Netinho, a voz inesquecível do axé que embalou Brasília, nos deixa aos 60 anos
O mundo da música brasileira está de luto. Netinho, um dos maiores nomes do axé music, faleceu na manhã de ontem, aos 60 anos, em Salvador. O cantor lutava há mais de um ano contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, e seu quadro evoluiu para uma falência renal, resultando em disfunção múltipla de órgãos.
A notícia de sua partida gerou comoção entre fãs e artistas, que relembram sua trajetória vibrante e seu impacto na cultura musical do país. Netinho não foi apenas um artista, mas um símbolo de alegria e energia, especialmente para os brasilienses que o acompanharam de perto.
Seu legado, marcado por sucessos que embalaram gerações, ecoa em cada canção e em cada memória afetiva. A despedida será restrita a familiares e amigos, mas sua obra continuará viva. Conforme divulgado pelo Correio Braziliense, o cantor deixou uma marca indelével na história da música baiana e brasileira.
O impacto de Netinho nas micaretas de Brasília
Na década de 1990, Brasília se rendeu ao ritmo contagiante do axé music, e Netinho era figura central desse fenômeno. Suas apresentações nas micaretas da cidade arrastavam multidões pelas avenidas, transformando ruas em verdadeiros circuitos de festa. Canções como “Milla”, “Beijo na boca”, “Prefixo do verão” e “Capricho dos deuses” se tornaram trilha sonora inesquecível para duas gerações de brasilienses.
A música “Milla”, em particular, alcançou um sucesso estrondoso, ultrapassando a marca de 30 milhões de reproduções no Spotify, consolidando-se como um dos grandes hinos do axé. A energia de Netinho no palco era contagiante, e sua presença era sinônimo de alegria e celebração.
Trajetória de um ícone: da Bahia para o Brasil
Nascido em Santo Antônio de Jesus, Bahia, em 1966, Netinho mudou-se para Salvador aos 10 anos, onde a música começou a fazer parte de sua vida. Na adolescência, já se apresentava em bares, e em 1988, ingressou na Banda Beijo, alcançando grande sucesso com “Beijo na boca” no carnaval de Salvador.
A carreira solo de Netinho o projetou ainda mais, com “Milla” se tornando seu maior hit e um marco na história do axé. Sua voz e carisma conquistaram o Brasil, levando a alegria da Bahia para todos os cantos do país.
Homenagens e o legado eterno
Artistas e personalidades da música brasileira lamentaram profundamente a perda de Netinho. Bell Marques, outro gigante do axé, destacou a coragem e a força do cantor em sua luta contra a doença, afirmando que “Sua trajetória nos deixa uma grande lição: às vezes, só descobrimos a verdadeira dimensão da nossa força quando a vida nos coloca diante das maiores dificuldades”.
Alexandre Pires, Cláudia Leitte, Sarajane e Manno Góes, entre outros, também prestaram suas homenagens, ressaltando não apenas o talento musical de Netinho, mas também seu coração generoso e seu espírito guerreiro. A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia emitiu nota de pesar, reconhecendo Netinho como um dos nomes mais marcantes do axé music e um embaixador da música baiana pelo mundo.
O legado de Netinho transcende suas canções; ele representa a vitalidade, a alegria e a capacidade de superação, inspirando a todos com sua arte e sua garra. Em suas próprias palavras, Netinho expressou: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.” Sua voz pode ter se calado, mas sua música e sua história jamais serão esquecidas.
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