Apuração presidencial no Peru segue eletrizante, com diferença mínima entre Keiko Fujimori e Roberto Sanchéz
A corrida pela presidência do Peru atingiu um novo patamar de tensão nesta quinta-feira (11), com a candidata de extrema-direita, Keiko Fujimori, assumindo a liderança na contagem de votos do segundo turno. Ela ultrapassou o postulante de esquerda, Roberto Sanchéz, em uma disputa que se mantém extremamente acirrada, com uma diferença inferior a 600 votos.
Inicialmente, Keiko Fujimori liderou a apuração logo após o fechamento das urnas no domingo, mas perdeu a dianteira na segunda-feira (8). Desde então, a distância entre os candidatos permaneceu mínima, refletindo a polarização política no país. A expectativa agora é por uma definição que pode demorar.
Com 98,2% das urnas apuradas às 19h50 de Brasília, Keiko Fujimori registrava 50,002% dos votos, enquanto Roberto Sanchéz somava 49,998%. A definição final, no entanto, ainda pode levar até duas semanas, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A informação foi divulgada após a apuração dos votos.
Revisão de atas e votos pendentes podem alterar o resultado
A demora no resultado final se deve a desafios logísticos, especialmente no processamento de votos enviados do exterior e de áreas rurais remotas. Além disso, há a necessidade de revisar cerca de 450 mil votos que estão em atas impugnadas, um processo que pode se estender por vários dias e influenciar diretamente o desfecho da eleição presidencial.
Pesquisas de boca de urna e contagens rápidas realizadas por institutos como Ipsos e Datum já indicavam um cenário de empate técnico no domingo, com Sanchéz à frente por menos de um ponto percentual. Alfredo Torres, presidente da Ipsos Peru, ressaltou que a margem de erro dessas amostras é de 1,9%, o que significa que os números ainda podem se reverter ou a diferença aumentar.
Legados políticos em disputa
A campanha de Keiko Fujimori se apoia no legado de seu pai, o ex-ditador Alberto Fujimori, que enfrenta acusações de crimes contra a humanidade. Por outro lado, Roberto Sanchéz, congressista e ex-ministro de 57 anos, busca conectar-se com o passado camponês do ex-presidente Pedro Castillo.
Pedro Castillo, que tentou dissolver o Congresso após um ano e meio de governo em 2021, foi destituído e preso. Sanchéz, em um gesto de lealdade, prometeu indultar o ex-presidente e o visitou na prisão, reforçando sua ligação com o grupo político.
Eleição transcorreu sem incidentes
O segundo turno da eleição presidencial, que convocou 27 milhões de eleitores, ocorreu no último domingo (7) sem grandes incidentes. Este cenário contrasta com o tumultuado primeiro turno realizado em abril, evidenciando um esforço para garantir a tranquilidade do processo eleitoral.
A definição do próximo presidente do Peru, portanto, aguarda a conclusão de uma apuração minuciosa. A **diferença mínima de votos** entre os candidatos e a pendência na revisão de atas mantêm o país em um estado de grande expectativa e incerteza sobre seu futuro político.
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