Zema diz que Bolsa Família exige estudo de homens, mas não de mulheres, gerando debate sobre igualdade e programa social.
O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, causou polêmica ao defender que, caso eleito, homens beneficiários do Bolsa Família sejam exigidos a concluir seus estudos e realizar cursos técnicos.
Segundo Zema, essa medida visa combater a formação de uma “geração de imprestáveis” no país. A justificativa apresentada pelo pré-candidato é que as mulheres não deveriam ter a mesma exigência, pois, conforme ele, “têm outras atribuições em casa”.
As declarações foram feitas durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasília, onde Zema também abordou propostas de reforma da Previdência, administrativa e de revisão de programas sociais. As informações são do portal G1.
Zema defende diferenciação e critica programas sociais
Em seu discurso para empresários, Zema enfatizou a diferença entre homens e mulheres no contexto do Bolsa Família. “Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens”, afirmou.
Ele argumentou que os homens, por não terem as mesmas responsabilidades domésticas, estariam desmotivados a trabalhar devido à segurança do benefício. “Os homens hoje são convidados a trabalhar, e as pessoas não vão por um motivo muito simples: elas têm a segurança de receber um benefício”, declarou.
O pré-candidato reiterou sua preocupação com a formação de jovens sem qualificação. “Estamos criando uma geração de imprestáveis”, disse, expressão que já utilizou em outros momentos de sua pré-campanha e que foi recebida com aplausos pela plateia.
Dados apontam saída de jovens do Bolsa Família e impacto limitado na força de trabalho feminina
Contrariando parcialmente a visão de Zema, uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgada em dezembro passado indicou que a maioria dos jovens beneficiários do Bolsa Família, entre 11 e 17 anos, deixou o programa até outubro de 2025.
Adicionalmente, um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) deste ano apontou que o Bolsa Família não tem reduzido sistematicamente a participação das mulheres na força de trabalho, sugerindo que o programa não impede a inserção feminina no mercado.
Agenda econômica e críticas de Zema e Flávio Bolsonaro
Durante o evento da CNI, Zema também defendeu o regime de trabalho pago por hora e criticou a CLT. Ele propôs uma reforma administrativa e a privatização de estatais, afirmando que “não existe vaca sagrada” nesse sentido.
Flávio Bolsonaro (PL), também presente no evento, criticou a reforma tributária, alegando que ela aumentará a carga de impostos. Ele defendeu a austeridade fiscal e prometeu “enxugar despesas drasticamente” em um eventual governo.
O senador também atacou o Supremo Tribunal Federal (STF), descrevendo a Corte como “mais uma delegacia de polícia, não uma corte constitucional”.
Propostas da CNI para a próxima gestão
A CNI apresentou aos pré-candidatos um documento com propostas, incluindo o reajuste de aposentadorias apenas pela inflação, a desvinculação de pisos de saúde e educação, e a redução do valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A entidade também sugere a revisão ou extinção do abono salarial, argumentando que este benefício tem baixo impacto redistributivo e alto custo fiscal para a indústria.
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