Artesãos moldam a identidade de Brasília, oferecendo aos visitantes um pedaço da história e cultura da capital em cada peça.
A Esplanada dos Ministérios, palco de grandes eventos e decisões políticas, se transforma diariamente em uma vibrante galeria de arte a céu aberto. Artesãos talentosos, muitos com histórias profundamente entrelaçadas com a construção e o desenvolvimento de Brasília, dedicam-se a criar e vender lembranças que capturam a essência da capital federal.
De miniaturas icônicas a delicadas flores secas, esses trabalhadores não apenas oferecem produtos únicos, mas também atuam como guardiões de memórias, compartilhando com os visitantes as narrativas que moldaram a cidade.
Esses artistas transformam a Esplanada em um ponto de encontro cultural, onde a arquitetura monumental se mescla com a arte popular, enriquecendo a experiência de quem visita o coração do Brasil. Conforme informações divulgadas, o trabalho desses artesãos é fundamental para a representação da identidade da cidade.
Tânia Bispo: A Arte que Reflete a História e a Democracia
Tânia Bispo, 58 anos, natural de Salvador, encontrou na Esplanada um espaço para expressar sua vocação e contar histórias. Após chegar a Brasília há 30 anos e se adaptar ao Cerrado, ela transformou seu ponto de venda em um museu de lembranças. Tânia comercializa miniaturas em pedra-sabão dos Três Poderes e da Justiça, além de chaveiros, ímãs e artesanatos em madeira, como reproduções da Catedral Metropolitana.
“Alguns itens eu peço para cortar a base, depois colo e monto. Gosto desse trabalho, até tirei minha carteirinha de artesã”, conta Tânia, que escolheu a localização estratégica por ser o “maior cartão-postal” da cidade. Ela relembra com emoção os eventos históricos que presenciou, incluindo o 8 de janeiro de 2023, vendo nisso um reforço da importância da democracia.
Divino Carvalho: Memórias da Construção em Miniaturas
Divino Carvalho de Souza, 70 anos, é um dos pioneiros que ajudaram a erguer Brasília. Natural de Cristalina (GO), ele chegou jovem à capital e participou do calçamento do Congresso Nacional e do assentamento de mármores nos anexos, além de ter trabalhado no Memorial JK. Há cerca de 25 anos, trocou as ferramentas da construção civil pela arte de criar miniaturas em resina e pedra-sabão.
Com bom humor, Divino, carinhosamente chamado de “seu” Divino, afirma: “Aqui tudo que põe vende, mas a Catedral é a campeã”. Ele se vira no inglês e no francês para atender aos turistas estrangeiros, oferecendo um pedaço da arquitetura de Brasília em suas mãos.
Guajará Ferreira: O Legado das Flores Secas e do Capim-Dourado
A poucos metros de distância, Guajará Ferreira de Paula, 61 anos, é o guardião das flores secas e do capim-dourado que encantam os visitantes. Sua banca na Esplanada é um legado familiar, iniciado na década de 1960 com seus tios. Guajará chegou a Brasília em 1983 e, há 44 anos, dedica-se ao mesmo ofício, mantendo a produção em um galpão em Ceilândia.
“Isso aqui é um trabalho braçal, mas é uma terapia”, compartilha Guajará. Ele e os irmãos realizam um rodízio entre a produção artesanal, que envolve lavar e tingir flores como as sempre-vivas, e o atendimento ao público. Guajará relembra com carinho a época das Diretas Já, quando a Esplanada se encheu de gente e as vendas prosperaram. Hoje, ele também atua como guia informal, indicando pontos turísticos e explicando sobre a cidade, criando laços afetivos com os frequentadores.
O Tesouro Levado na Mala do Visitante
Para visitantes como Sabrina Cândido e Pedro Henrique Shinohara, de 30 anos, que vieram de São Paulo, as peças adquiridas são mais do que souvenirs. “Tudo é muito grande, bonito e performático”, resumiu Pedro. Eles levaram para casa miniaturas da Catedral, ímãs panorâmicos e réplicas de figuras políticas, representando a diversidade da produção candanga.
Graziele Pelizar, 29 anos, catarinense, resumiu o sentimento geral: “É uma cidade muito linda e planejada”. Ao comprarem uma miniatura, um chaveiro ou um ímã, os visitantes levam consigo não apenas um símbolo arquitetônico, mas o resultado do trabalho e da dedicação de artesãos que fazem do coração do Brasil o seu sustento e o seu lar.
Deixe um comentário