Senado barra saída de senadores de apoio à PEC alternativa ao fim da escala 6×1
Um movimento inesperado ocorreu no Senado Federal nesta semana, quando os senadores Romário (PL-RJ) e Zequinha Marinho (Podemos-PA) tentaram retirar seus nomes da lista de apoio a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A proposta em questão, apresentada como uma alternativa ao fim da jornada de trabalho 6×1, gerou intensos debates e reações nas redes sociais e entre entidades sindicais.
A PEC, de autoria do líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN), visa alterar regras de contratação por hora trabalhada e já contava com o apoio de outros 40 senadores. No entanto, a tentativa de Romário e Zequinha de se desvincularem da proposta esbarrou no regimento interno da Casa, que impede a remoção de assinaturas após a publicação oficial de uma matéria.
A decisão de Romário e Zequinha, assim como a de Cleitinho (Republicanos-MG), que também manifestou posição semelhante, ocorreu após uma onda de críticas e pressão de grupos que defendem a manutenção da jornada 6×1 e temem que a nova PEC possa precarizar as condições de trabalho. Conforme informação divulgada pelo Poder360, a tentativa de retirada de assinaturas se deu após o senador Zequinha Marinho se reunir com representantes de trabalhadores do Pará.
Entenda o caso da PEC e a tentativa de retirada de apoio
A PEC alternativa ao fim da jornada 6×1, proposta por Rogério Marinho, busca introduzir mudanças significativas na forma como os trabalhadores são contratados, com foco na modalidade por hora trabalhada. A proposta recebeu, inicialmente, o apoio de 42 senadores, incluindo Romário e Zequinha Marinho. Contudo, a repercussão negativa e a pressão de sindicatos e trabalhadores levaram alguns signatários a reconsiderarem sua posição.
O regimento interno do Senado é claro: uma vez que uma proposta é publicada com as assinaturas de apoio, não é possível mais removê-las. Por essa razão, os pedidos de Romário e Zequinha Marinho foram formalmente **rejeitados** pela mesa diretora da Casa. Os senadores argumentaram que o apoio inicial visava apenas garantir a tramitação da proposta para que o tema pudesse ser debatido.
Senadores justificam retirada após repercussão negativa
O senador Zequinha Marinho, em nota oficial, explicou que sua decisão de tentar retirar a assinatura ocorreu após uma reunião com representantes de trabalhadores do Pará. Ele afirmou que a PEC poderia **fragilizar acordos** entre empregadores e empregados sobre a jornada de trabalho. Zequinha ressaltou que a assinatura para viabilizar a tramitação de uma PEC não significa, necessariamente, concordância com seu conteúdo.
Romário, por sua vez, utilizou suas redes sociais para justificar sua posição. Ele declarou ter deixado de apoiar a PEC ao perceber a **reação negativa** de parte da população. “Depois de analisar melhor a proposta, entendi que muita gente viu o texto como algo prejudicial ao trabalhador brasileiro. E, se o povo entende assim, não faz sentido eu continuar nela”, escreveu o senador, demonstrando sensibilidade à pressão popular.
Críticas e defesas sobre o impacto da PEC
A tentativa de retirada de apoio por parte dos senadores ocorreu em meio a **intensas críticas nas redes sociais** e forte pressão de sindicatos. Esses grupos expressaram preocupação com o impacto da PEC, alegando que ela poderia abrir brechas para jornadas de trabalho sem o direito à folga semanal. Por outro lado, aliados de Rogério Marinho negam essa interpretação, defendendo que a proposta visa modernizar as relações de trabalho.
O senador Cleitinho, que também tentou retirar seu nome, reforçou em plenário que é **favorável ao fim da escala 6×1**, mas que não votaria contra os direitos trabalhistas. Ele atribuiu a controvérsia a uma interpretação equivocada da proposta, evidenciando a complexidade e a sensibilidade do debate sobre a jornada de trabalho no Brasil.
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